A Química Vista por … Joana Pereira
Formanda do curso PRR “Química Verde: do conhecimento à ação” edição 2026
A química é muito mais do que a
ciência definida, pela Universidade de Cambridge, como: “O estudo científico
das substâncias e da forma como estas se transformam quando se combinam”. É
muito mais do que o comum mortal sabe sobre a química, como a existência de uma
tabela que organiza os elementos em grupos e períodos e que dois átomos de
hidrogénio se ligam a um de oxigénio para se formar o bem-essencial que é a
água.
A química é algo que está presente no nosso dia-a-dia e nem nos apercebemos
dessa sua dimensão. É algo que nos permite levar a cabo determinadas tarefas
que julgamos básica: já pensaram como são feitos os cremes que usam para
diminuir as rugas ou acham que a única condição necessária para se produzir
energia para o funcionamento dos carros é abastecê-los com gasóleo ou gasolina?
Mas o que é que está por detrás destas funcionalidades do quotidiano que nem
pensamos no seu fundamento? A resposta é, fundamentalmente, química. E estes
são exemplos que podemos considerar supérfluos, mas e quando pensamos em
necessidades como alimentos? Achariam que no processo desde a nascente até
podermos beber água, por exemplo, não existiria nenhuma influência química?
Pois bem existe, e só podemos considerar potáveis as águas que tenham
determinadas concentrações de iões que apenas podem ser calculadas graças a
métodos químicos. Ou ainda mais significante para a maioria das pessoas, por
ser o que as mais preocupa, a saúde. Como nos curaríamos de simples gripes se
não houvessem medicamentos – fabricados em laboratório, claro? Estes são apenas
uma ínfima parte dos exemplos que se podem dar das vantagens da área da química
no nosso quotidiano e que devemos aproveitar e valorizar.
Por outro lado, infelizmente, podemos também dar exemplos de desvantagens da química, desde pormenores que nos podem passar despercebidos e que julgamos insignificantes até a eventos que podem conduzir à morte, inclusivamente, da espécie humana. Um dos casos que julgamos ser “pequeno” comparado com outros porque, em última instância, não causa a nossa morte diretamente é a utilização de fertilizantes. O seu uso em excesso e em zonas que exponham a nossa espécie a estes compostos pode ser nocivo para nós, desencadeando problemas de saúde que podem vir a ser crónicos.
Apesar da sua vertente benéfica na agricultura, por exemplo, e que por isso nos pode fazer esquecer os seus perigos, os fertilizantes apresentam um lado muito negro e que deve ser acompanhado para minimização dos riscos. Num patamar ainda superior, podemos destacar venenos no verdadeiro sentido do termo. A química pode produzir compostos que podem culminar na morte humana pelo mero contacto com uma gota (por exemplo, o agente nervoso VX). Esta produção, altamente sofisticada, traz à tona a face oculta da química e, que apesar de querermos por vezes ignorá-la, não a podemos desmerecer porque é uma realidade.
Na minha opinião, devemos analisar proximamente as aplicações da química porque, como visto, esta é uma ciência com grande dualidade nos seus fins. Podemos utilizá-la de uma forma muito benéfica, através da produção de fármacos que salvem vidas humanas, por exemplo. Mas por outro lado, o seu saldo de vidas pode ser altamente negativo, por meio da utilização de compostos produzidos por humanos que podem conduzir à morte de várias espécies. O cenário que me parece mais marcante e exemplificativo disto memo é a segunda-vida do Zyklon B, inicialmente um pesticida, que mais tarde foi empregue nas câmaras de gás durante a 2ª Guerra Mundial e, o seu desfecho é conhecido por todos. Assim, não podemos considerar a química como uma ciência boa ou má, mas pode ser sim utilizada com ambas as finalidades e cabenos a nós escolher qual o lado que queremos desenvolver maioritariamente
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