A química é a minha companheira diária, pelo menos nos últimos vinte anos, em contexto de atividade profissional. Tenho por isso uma visão e opinião de muita proximidade com esta área tão vasta e útil à nossa sociedade. Desta minha experiência, a minha “química” não é da produção fabril nas suas mais variadas aplicações, mas a da química ao serviço da saúde pública.
A química associada a um laboratório de ensaios, que realiza a análise a múltiplos parâmetros químicos, e cujos resultados indicam se a água está adequada ao fim a que se destina… se a podemos consumir, se pode ser utilizada na industria alimentar, se pode ser utilizada na industria farmacêutica, se está em conformidade para fins desportivos e recreativos, ou, se sendo de matriz residual se está em cumprimento para descarga em meio recetor.
Ou a da química associada ao tratamento de águas, que permite ajustar, adequar, corrigir uma água a esse mesmo fim a que se destina. Este tratamento de águas, que permite captar, tratar e distribuir água para consumo humano, em segurança e cumprindo rigorosos critérios de tratamento químico, que permite tratar uma água industrial, promovendo a proteção da instalação e longevidade operacional da mesma, que permite reunir condições adversas para o desenvolvimento de microrganismos patogénicos com disseminação através da massa de água ou aerossóis.
Por esta breve exposição, as vantagens são muitas. Sem esta “química” ao serviço da saúde publica, a nossa relação com a água seria bem diferente, recuando até algumas décadas e gerações. Estaríamos situados algures num tempo dos nossos antepassados.
Contudo, para que um laboratório realize as suas análises, ou uma empresa ou entidade promova o tratamento químico de uma água, existem um conjunto ações que geram um impacto negativo. As análises laboratoriais requerem um conjunto elevado e variado de produtos químicos, para preparar e conservar as amostras e realizar as análises, e na área do tratamento de águas, a utilização de variadas gamas de produtos químicos, entre biocidas oxidantes e não oxidantes, floculantes, algicidas, inibidores de corrosão e incrustação, correção de pH, etc, que geram subprodutos e/ou devido ao seu não total decaimento ou reação, presença em águas residuais, o que requer pré-tratamento adequado à sua eliminação.
As vantagens e desvantagens são sempre dois pesos na balança, de uma química ao serviço da sociedade.
Saindo agora desta opinião mais em específico, posso afirmar que de um modo abrangente a Química desempenha um papel central na sociedade contemporânea, sendo responsável por avanços significativos que transformaram profundamente a vida humana. Graças ao desenvolvimento químico, foi possível criar medicamentos que salvam milhões de vidas, melhorar a produção agrícola através de fertilizantes e pesticidas, e desenvolver materiais inovadores que facilitam o quotidiano, como plásticos, tecidos sintéticos e dispositivos eletrónicos. Assim, a Química contribui diretamente para o aumento da esperança média de vida e para o conforto das populações.
No entanto, este progresso não está isento de consequências. Ao longo da história, a utilização inadequada ou excessiva de produtos químicos tem provocado graves problemas ambientais, como a poluição do ar, da água e dos solos. Além disso, certas substâncias químicas apresentam riscos para a saúde humana, podendo causar doenças quando não são devidamente controladas. Catástrofes industriais e o uso de armas químicas também evidenciam o potencial destrutivo deste conhecimento.
É importante notar que a perceção pública da Química tende a ser desequilibrada. Enquanto os seus benefícios muitas vezes passam despercebidos, os seus impactos negativos recebem grande destaque nos meios de comunicação social. Esta visão parcial pode gerar desconfiança, ignorando o facto de que a Química, em si, não é boa nem má — tudo depende da forma como é utilizada.
Em conclusão, a Química é essencial para o desenvolvimento da civilização moderna, mas exige responsabilidade, ética e controlo rigoroso. O desafio atual consiste em maximizar os seus benefícios, minimizando os riscos, através de práticas sustentáveis e de uma maior consciencialização social.
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