A química está presente praticamente em tudo o que fazemos no dia a dia, mesmo quando muitas vezes não nos apercebemos disso. Está nos medicamentos, nos alimentos, nos produtos de limpeza, nos combustíveis, nas roupas, nos telemóveis e até na água que consumimos. Por isso, ao longo da história, a Química teve um papel muito importante no desenvolvimento das sociedades e na melhoria da qualidade de vida das populações. Ao mesmo tempo, também é verdade que muitos problemas ambientais e sociais estão associados ao uso incorreto ou excessivo de produtos químicos. Acho que é precisamente essa dualidade que torna este tema tão interessante.
Na palestra do Professor João Paulo Leal, ficou muito presente a ideia de que a Química não deve ser vista apenas pelos seus aspetos negativos. Muitas vezes existe uma tendência, sobretudo nos media e na publicidade, para associar o químico a algo perigoso ou artificial, como se tudo o que é natural fosse automaticamente bom e tudo o que envolve química fosse prejudicial. Isso aparece, por exemplo, nas campanhas publicitárias mencionadas do Pingo Doce, Lidl e Continente, que acabam por usar a palavra “química” quase como algo assustador ou indesejado. No entanto, como o próprio professor refere, o problema não está na química em si, mas na forma como ela é utilizada.
Na minha opinião, as vantagens da química são enormes e seria impossível imaginar o mundo atual sem ela. Um dos exemplos mais evidentes é a medicina. Muitos medicamentos, vacinas e tratamentos só existem graças ao desenvolvimento químico e científico. A própria esperança média de vida aumentou muito devido a esses avanços. Também na agricultura a química teve impacto importante, permitindo aumentar a produção alimentar e responder às necessidades de uma população mundial cada vez maior. Outro exemplo é o tratamento da água, que ajudou a reduzir doenças e melhorou as condições sanitárias em muitos países.
Ao mesmo tempo, não podemos ignorar as desvantagens e os impactos negativos associados à química. A poluição dos rios, dos oceanos e do ar está muitas vezes ligada à produção industrial e ao uso excessivo de substâncias químicas. O plástico é talvez um dos melhores exemplos disso. Apesar de ser um material extremamente útil, barato e resistente, tornou-se também um dos maiores problemas ambientais da atualidade devido ao consumo exagerado e à dificuldade de degradação. Também o uso de pesticidas e fertilizantes em excesso pode trazer consequências graves para os ecossistemas e para a saúde humana.
Outra questão que acho importante é a forma como a sociedade olha para a ciência. Muitas vezes existe pouca literacia científica, o que leva à criação de medos ou ideias erradas. As pessoas ouvem palavras como “aditivos”, “conservantes” ou os famosos códigos “E” dos alimentos e assumem imediatamente que são perigosos, quando muitos desses compostos são testados e regulados. Claro que isso não significa que tudo seja perfeito ou que não existam abusos por parte das indústrias, mas penso que falta muitas vezes uma explicação mais clara e acessível para a população.
Assim sendo, ao meu ver, a química pode ser tanto uma ferramenta de progresso como uma fonte de problemas. Tudo depende da forma como é usada, regulada e ensinada. Acho que o mais importante é desenvolver uma relação mais consciente com a ciência, percebendo que ela faz parte da nossa vida e que o objetivo não deve ser rejeitar a química, mas sim utilizá-la de forma mais responsável e sustentável.
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