A Química, enquanto ciência, não possui “vantagens” ou “desvantagens” intrínsecas. Os efeitos positivos ou negativos resultam da forma como os conhecimentos químicos são aplicados pela sociedade. Ela é indispensável, cuja importância para o desenvolvimento humano é inegável. Os seus contributos manifestam-se na melhoria da saúde, na produção de alimentos, no avanço tecnológico e na busca por soluções sustentáveis. No entanto, os riscos, sobretudo quando associadas ao uso irresponsável, incluem impactos ambientais graves, riscos para a saúde e uma perceção pública negativa.
Desde logo, importa reconhecer que a Química é uma ciência central, profundamente interligada com diversas áreas do conhecimento e com o quotidiano das populações, ela está no centro de múltiplos domínios, nomeadamente, a saúde, à energia, à agricultura, ao ambiente, entre outros, sendo fundamental para compreender e resolver problemas atuais dado a presença dos produtos químicos na vida moderna, quer de forma direta, quer incorporados em inúmeros bens que utilizamos diariamente.
Um dos maiores benefícios da Química reside, sem dúvida, na sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida. O desenvolvimento de medicamentos é um exemplo paradigmático. Graças à investigação química, foi possível criar substâncias como antibióticos, analgésicos e anestésicos, que permitem tratar doenças, aliviar o sofrimento e prolongar a esperança média de vida. Além disso, a Química desempenha um papel crucial na produção alimentar, através do uso de fertilizantes e pesticidas que aumentam a produtividade agrícola e ajudam a combater a fome. Também no setor tecnológico, materiais inovadores, plásticos, baterias e dispositivos eletrónicos são fruto direto do conhecimento químico, evidenciando o seu impacto transversal.
Outro aspeto positivo importante é o contributo da Química para o desenvolvimento sustentável. A chamada Química Verde surge precisamente como resposta aos impactos negativos da atividade química, propondo a criação de processos e produtos menos poluentes e mais seguros. Esta abordagem visa reduzir ou eliminar substâncias perigosas, promover o uso de matérias-primas renováveis e diminuir a produção de resíduos. Assim, a Química não só contribui para os problemas ambientais, como também oferece soluções inovadoras para os mitigar, demonstrando a sua capacidade de evolução e adaptação às necessidades da sociedade.
Contudo, não se pode ignorar o outro lado desta ciência. A palestra do Professor João Paulo Leal evidencia claramente os impactos negativos associados à atividade química, como a poluição do ar, dos oceanos e as alterações climáticas. A libertação de gases e partículas para a atmosfera, muitas vezes resultante de processos industriais, ultrapassa a capacidade natural de absorção do ambiente, contribuindo para problemas graves de saúde pública e degradação ambiental. De igual modo, a contaminação das águas por produtos químicos, fertilizantes e plásticos afeta ecossistemas inteiros e ameaça a biodiversidade. As alterações climáticas constituem talvez o exemplo de consequências associadas à Química. O aumento das emissões de gases com efeito de estufa, decorrente da utilização intensiva de combustíveis fósseis e de processos industriais, tem provocado mudanças significativas no clima global, com consequências como o aumento da temperatura média, o degelo das calotes polares e a intensificação de fenómenos extremos. Estes impactos mostram que o uso inadequado do conhecimento químico pode ter efeitos devastadores à escala planetária. Para além dos impactos ambientais, existe também uma dimensão social e cultural associada às limitações da Química. A sua imagem pública é frequentemente negativa, sendo muitas vezes associada a substâncias perigosas. Esta perceção é, em parte, resultado da má utilização de produtos químicos, mas também da falta de literacia científica da população. Curiosamente, muitas substâncias naturais podem ser altamente tóxicas, enquanto produtos sintéticos podem ser seguros, o que demonstra que o problema não está na Química em si, mas na forma como é utilizada e comunicada.
Outro ponto crítico prende-se com o uso excessivo ou inadequado de certos produtos químicos, como alguns aditivos alimentares, pesticidas e materiais descartáveis, que podem ter efeitos negativos na saúde humana e no ambiente, especialmente quando não são devidamente regulados ou utilizados de forma irresponsável. Contudo, nem todos aditivos identificados por códigos E são prejudiciais à saúde humana. Alguns correspondem a substâncias naturais ou seguras, como o E290 (dióxido de carbono), presente naturalmente na atmosfera e utilizado em bebidas gaseificadas e na conservação alimentar.
Outros exemplos incluem a curcumina (E100) e a riboflavina (E101), que podem até apresentar propriedades benéficas. Assim, os riscos dependem sobretudo da composição química, da dose utilizada e da forma como estas substâncias são aplicadas e reguladas.
Além disso, a produção em massa e o consumo desenfreado contribuem para a geração de resíduos e para a degradação dos ecossistemas, levantando questões éticas e ambientais. Ainda no contexto da Química Verde, embora esta represente uma solução promissora, também enfrenta desafios. A sua implementação pode ser complexa e exige investimentos significativos, bem como mudanças nos padrões de produção e consumo. Assim, apesar dos seus impactos positivos, a transição para práticas mais sustentáveis não é imediata nem isenta de dificuldades.
A inovação na química verde abrange várias áreas, incluindo a síntese de produtos químicos mais seguros.
Recursos
A Química nas nossas vidas. Por Carlos Corrêa Professor Catedrático jubilado do
Departamento de Química da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Conselheiro do Ciência Hoje para o Ano Internacional da Química.
Abdussalam-Mohammed, W. et al. (2020). Green Chemistry: Principles,
Applications, and Disadvantages
Palestra do Professor João Paulo Leal - Química e Sociedade | ESTA TERRA AGORA
Química entre Nós. Paulo Mendes Prof. Auxiliar do Departamento de Química
Escola de Ciências e Tecnologia Centro de Química de Évora
Ramos, M. A. F. D. A. C. (2009). Química verde potencialidades e dificuldades
da sua introdução no ensino básico e secundário

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