A Química vista por… Pedro Soares



É inquestionável: a existência da Ciência Química é fulcral para a satisfação das necessidades das populações. A sua importância extrema resulta, por uma lado, da função indispensável que exerce na criação de bens (materiais, medicamentos, etc. etc.) e, por outro lado, é derivada da sua presença generalizada na “vida”… porque, na verdade, todos somos química. Ainda assim, apesar do seu papel apreciável (mas encoberto, muito próprio daqueles que trabalham nos bastidores) no desenvolvimento e no bem-estar da população, a Química parece apresentar um descrédito por parte das gentes, em virtude das nefastas desvantagens a ela inerentes (poluições, contaminações, disseminação de substâncias prejudiciais, que não só afectam a saúde humana, como originam desequilíbrios ecológicos, causando danos, por vezes, irreparáveis) e ainda das histórias de trágicos acidentes que marcaram, profundamente, o último século.
Parece-me importante salientar que, se referi “vantagens” da Química, não referi “desvantagens” da mesma, mas sim “desvantagens inerentes à sua ciência”. A linguagem pode parecer demasiado diplomática. A verdade é que, a meu ver, é necessário desmistificar a acção da Química e entender que, por vezes, não falamos de Química, quando parece que o fazemos.
As desvantagens enunciadas são dramáticas, algumas irreparáveis e, sem dúvida, todas lamentáveis. Mas, essas desvantagens não derivam directamente da Química, enquanto ciência que procura alcançar dados e conhecimentos sobre substâncias (que nos compõem e outras), garantindo uma aplicação útil no nosso quotidiano. Essas desvantagens têm um carácter muito mais político, moral e, por vezes, económico (derivado dos interesses daqueles que têm maior poder financeiro) – resultam, sim, portanto, da forma como a Química é aplicada, da má gestão da sua utilização e não da Química propriamente dita, enquanto ciência. Creio que é, acima de tudo, necessário garantir regulamentações e fiscalizações (confiáveis), que impeçam ou tentem impedir ao máximo as desvantagens inerentes à Química, em virtude da sua má utilização (que vai desde o simples agricultor que não respeita a aplicação de produtos fitofarmacêuticos ao mais alto cargo político que poderá defender, erroneamente, a acção de certas indústrias).
Desta forma, tendo em atenção as agudas crises actuais (sociais, ecológicas, económicas, políticas) parece-me de extrema importância, não só valorizar a Química como ciência, mas sim dar valor ao trabalho feito e a fazer, que pode e deve ser utilizado no âmbito da sustentabilidade. É importante ver a Química como um instrumento que contribui para um Mundo mais sustentável e não como um “bicho-de-sete-cabeças” que nos prejudica (porque, na realidade, quem mais nos prejudica somos nós).


Pedro Soares
Estudante da pós-graduação em Ambiente, Sustentabilidade e Educação | e-learning | Universidade de Évora 

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