A Química Vista por … Francisco Ferreira
Formando do curso PRR “Química Verde: do conhecimento à ação” edição 2026
(https://revistaanalytica.com.br/saiba-qual-e-o-papel-da-engenharia-quimica-para-o-futuro-do-mundo/)
A química nos dias de hoje tornou-se quase um sinónimo das palavras “artificial” ou “nocivo”, remetendo para imagens de poluição, ou de comidas cheias de produtos prejudiciais à saúde. No entanto, esta visão para além de ser redutora do que realmente é a química é injusta.
Deste modo compreender as “vantagens e desvantagens” da química é um exercício importante para melhor entender a necessidade desta ciência nas nossas vidas e entender também quais os danos que a química pode causar.
A esperança média de vida tem vindo a aumentar nos últimos séculos muito devido à química. Um exemplo do contributo da química é a síntese de medicamentos, desde a penicilina aos medicamentos modernos e outro tipo de tratamentos de doenças que outrora eram vistos como sentenças de morte
Outra das áreas que permite que possamos viver mais tempo com melhor qualidade de vida do que era possível há uma década atrás é a área da segurança alimentar. Como exemplos temos o processo de Haber--Bosch que permite a fixação de nitrogénio para a criação de fertilizantes, uma inovação crítica para a produção de alimento para a população mundial. Outra das grandes vantagens da química nesta área é a purificação da água através de cloração que nos permite então perceber como a química realmente é importante e necessária, uma vez desempenha um fundamental como suporte de vida para a humanidade.
Contudo, infelizmente por mais “vantagens” que tenha e seja sem dúvida essencial a química também tem o seu lado sombrio.
A industrialização trouxe consigo alguns problemas como poluição persistente causada por descartes negligentes de resíduos tóxicos e a acumulação de microplásticos em diversos ecossistemas. Um exemplo de de um grande avanço químico que trouxe consigo grande prejuízos são os CFCs (clorofluorcarbonetos), que embora sejam muito estáveis e seguros, quase destruíram a camada de ozono antes de serem banidos. A solução para este impasse não passa, certamente, por um regresso a uma era pré-química o que seria impossível e catastrófico.
O caminho reside na evolução para a chamada Química Verde. Trata-se de uma mudança de paradigma onde a eficiência de um processo já não é medida apenas pelo rendimento económico, mas pela minimização da toxicidade e pela utilização de matérias-primas renováveis. Em suma, a química é uma ciência de contrastes que molda a nossa existência de forma profunda e inevitável.
Embora o senso comum a associe frequentemente ao "artificial" ou ao "poluente", a análise dos factos demonstra que ela é, acima de tudo, o alicerce da longevidade e da segurança da vida moderna. Sem os avanços na síntese farmacêutica ou as inovações na produção alimentar e purificação de águas, a sociedade contemporânea não conseguiria sustentar-se. No entanto, a história dos CFCs e a problemática dos microplásticos servem como um lembrete crucial de que o progresso científico não pode estar dissociado da responsabilidade ambiental. O desafio para o futuro não passa por rejeitar a química, mas sim por potenciar o seu lado benéfico através da sustentabilidade. Compreender essa dualidade, as suas vantagens vitais e os seus riscos colaterais, é o primeiro passo para garantir que a química continue a ser uma aliada da humanidade, corrigindo os erros do passado e protegendo os ecossistemas para as gerações vindouras.
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