A Química Vista por ... Cinthya Rokstrok

A Química Vista por ...  Cinthya Rokstrok

Formanda do curso PRR “Química Verde: do conhecimento à ação” edição 2026 

 

 Será a química malvada ou a nossa salvação?

Uma pergunta que assombra a mente de muitas pessoas, alimentada por medos e inseguranças resultantes de catástrofes de repercussões inimagináveis que marcaram a história da humanidade.

A química manifesta-se de formas diferentes aos olhos de cada um de nós, dependendo do nosso conhecimento e perspetiva. Muitas vezes incompreendida, é, no entanto, a base do nosso quotidiano e da nossa evolução, tanto enquanto seres humanos como enquanto parte de um ecossistema.

Embora esteja associada a grandes desastres mundiais, seja em contextos de guerra ou de acidentes farmacêuticos, a química não pode ser considerada uma ciência calamitosa que deva ser evitada. Apesar da sua presença em tais acontecimentos, é também graças a ela que dispomos de fármacos e vacinas que nos garantem maior longevidade e qualidade de vida. Está no champô e no condicionador que usamos, nas fragrâncias que nos encantam, nos transportes, nos produtos de limpeza, nos alimentos e, o mais importante, na própria natureza. A química é intrínseca a nós e a tudo o que nos rodeia. Estudá-la permite-nos compreender melhor o nosso corpo e o planeta em que vivemos.

É evidente que o conhecimento químico pode gerar repercussões de grande escala. No entanto, é também através do estudo rigoroso que conseguimos evitar desequilíbrios. Ao longo dos anos, foram desenvolvidas medidas de prevenção e recuperação que nos permitem projetar um futuro mais sustentável. Com o apoio de governos e líderes industriais, o mundo pode beneficiar imensamente dos avanços da química, conduzindo-nos a uma sociedade mais equilibrada e ecológica. Seguindo práticas de segurança e prevenção, a indústria química pode afirmar-se como um dos pilares da ciência e da evolução de forma harmoniosa.

É igualmente importante reconhecer que as contaminações e desperdícios químicos não ocorrem apenas em fábricas ou laboratórios, mas também nas nossas rotinas. De modo inconsciente, contribuímos para os danos ambientais através de pequenos gestos quotidianos. Por isso, a educação é essencial,não só para eliminar estigmas e o cinismo em torno das ciências, mas também para promover mudanças simples e eficazes nos nossos hábitos, em benefício próprio e do meio ambiente.

Cada aspeto da vida tem o seu lado vantajoso e desvantajoso, cabe-nos decidir o que devemos apoiar e o que devemos rejeitar. Os efeitos da nossa negligência coletiva fazem-se sentir de forma cada vez mais evidente, quer os observemos numa amostra de laboratório, quer nas ruas por onde passamos todos os dias. Mas é essa mesma força que nos destrói um pouco mais a cada dia que também nos permite socorrer o planeta, em comunidade, para que chegue o momento em que a natureza se sinta aliviada das nossas interferências, as mesmas interferências que já proporcionaram conquistas que muitos descrevem como verdadeiros milagres. É impossível eliminar por completo os danos, mas é possível preveni-los e reduzi-los significativamente.

Com as lições aprendidas ao longo da história, a química atual tem como prioridades inegociáveis a saúde e o bem-estar. Com essa orientação, visa um futuro mais responsável e equilibrado. Não a vejo como uma salvação, mas sim como uma ferramenta poderosa que, usada com prudência, pode criar algo verdadeiramente maravilhoso.

 

 

A Química Vista por … Tomás Neves

A Química Vista por … Tomás Neves

Formando do curso PRR “Química Verde: do conhecimento à ação” edição 2026

 

 A química, hoje em dia, desempenha um papel fundamental na vida de todas as pessoas, assumindo-se como uma ciência crucial no nosso dia a dia. Esta, apesar de ter inúmeras vantagens, vem também associada a diversas contradições, que têm um peso importante quando tentamos equilibrar estas duas características. Recorrendo a esta é, sem dúvida, possível melhorar a saúde e igualmente o bem-estar das pessoas, nomeadamente através do desenvolvimento de fármacos, onde a descoberta da penicilina revolucionou este campo e permitiu sintetizarmos novos fármacos que ajudam no tratamento de diversas doenças, como diabetes e alzheimer, promovendo uma longevidade sem precedentes. Para além disto, a química promove o desenvolvimento de painéis solares, e o controlo ambiental, mediante da reciclagem e de todas as medidas de desenvolvimento sustentável, essenciais no combate às alterações climáticas. É também, através desta que é possível melhorar as condições na agricultura, o que leva a uma alimentação mais saudável, através da produção de fertilizantes.

Para além dos contributos já mencionados, a química proporciona benefícios significativos ao bem-estar individual, introduzindo soluções que simplificam o quotidiano, como os avanços na conservação doméstica de alimentos e as diversas inovações materiais que viabilizam as atividades de lazer modernas. Contudo, como anteriormente referido, existem diversos fatores críticos associados à química que comprometem seriamente tanto a qualidade de vida humana como a integridade do meio ambiente.

Alguns destes casos são, a presença de químicos prejudiciais à saúde em muitos produtos como plásticos, cosméticos, embalagens de alimentos e outros materiais utilizados no nosso quotidiano. O consumo de adoçantes artificiais, inseticidas, substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), compostos alimentares, produtos farmacêuticos e marcadores de utilização de tabaco, são igualmente uma desvantagem da química, uma vez que leva à presença destes contaminantes no sémen humano, diminuindo a sua qualidade e podendo desencadear consequentes problemas com a reprodutividade.

Assim como, o uso das novas tecnologias para a produção de armas químicas, que levam a um elevado número de mortes, e a propagação de poluentes, como o caso dos PFAS, que são os produtos químicos sintéticos mais persistentes até hoje conhecidos, que já ultrapassou o limite de segurança do planeta e ameaça a estabilidade dos ecossistemas e a saúde humana, são outros destes casos. Para finalizar, é importante destacar que a acumulação destes químicos no corpo humano pode interferir com a saúde, afetando o funcionamento de alguns sistemas do nosso corpo, e até pode estar relacionada a cancros.

Conclui-se, portanto, que a presença da química no quotidiano exige uma mudança urgente de paradigma. Embora os avanços na síntese de fármacos e na conservação de alimentos sejam pilares do bem-estar atual, a acumulação de substâncias sintéticas persistentes e a ameaça aos ecossistemas demonstram que o modelo atual atingiu o seu limite de segurança. A transição para uma Química Verde que privilegie a biodegradabilidade, e permita a eliminação destas substâncias prejudiciais à nossa saúde, é a única forma de assegurar que a ciência continue a ser o principal fator de desenvolvimento sem comprometer a estabilidade biológica do planeta

A Química Vista por … Francisco Ferreira

A Química Vista por … Francisco Ferreira

Formando do curso PRR “Química Verde: do conhecimento à ação” edição 2026

 

(https://revistaanalytica.com.br/saiba-qual-e-o-papel-da-engenharia-quimica-para-o-futuro-do-mundo/)

 

A química nos dias de hoje tornou-se quase um sinónimo das palavras “artificial” ou “nocivo”, remetendo para imagens de poluição, ou de comidas cheias de produtos prejudiciais à saúde. No entanto, esta visão para além de ser redutora do que realmente é a química é injusta.

Deste modo compreender as “vantagens e desvantagens” da química é um exercício importante para melhor entender a necessidade desta ciência nas nossas vidas e entender também quais os danos que a química pode causar.

A esperança média de vida tem vindo a aumentar nos últimos séculos muito devido à química. Um exemplo do contributo da química é a síntese de medicamentos, desde a penicilina aos medicamentos modernos e outro tipo de tratamentos de doenças que outrora eram vistos como sentenças de morte

 Outra das áreas que permite que possamos viver mais tempo com melhor qualidade de vida do que era possível há uma década atrás é a área da segurança alimentar. Como exemplos temos o processo de Haber--Bosch que permite a fixação de nitrogénio para a criação de fertilizantes, uma inovação crítica para a produção de alimento para a população mundial. Outra das grandes vantagens da química nesta área é a purificação da água através de cloração que nos permite então perceber como a química realmente é importante e necessária, uma vez desempenha um fundamental como suporte de vida para a humanidade.

Contudo, infelizmente por mais “vantagens” que tenha e seja sem dúvida essencial a química também tem o seu lado sombrio.

A industrialização trouxe consigo alguns problemas como poluição persistente causada por descartes negligentes de resíduos tóxicos e a acumulação de microplásticos em diversos ecossistemas. Um exemplo de de um grande avanço químico que trouxe consigo grande prejuízos são os CFCs (clorofluorcarbonetos), que embora sejam muito estáveis e seguros, quase destruíram a camada de ozono antes de serem banidos. A solução para este impasse não passa, certamente, por um regresso a uma era pré-química o que seria impossível e catastrófico.

O caminho reside na evolução para a chamada Química Verde. Trata-se de uma mudança de paradigma onde a eficiência de um processo já não é medida apenas pelo rendimento económico, mas pela minimização da toxicidade e pela utilização de matérias-primas renováveis. Em suma, a química é uma ciência de contrastes que molda a nossa existência de forma profunda e inevitável.

Embora o senso comum a associe frequentemente ao "artificial" ou ao "poluente", a análise dos factos demonstra que ela é, acima de tudo, o alicerce da longevidade e da segurança da vida moderna. Sem os avanços na síntese farmacêutica ou as inovações na produção alimentar e purificação de águas, a sociedade contemporânea não conseguiria sustentar-se. No entanto, a história dos CFCs e a problemática dos microplásticos servem como um lembrete crucial de que o progresso científico não pode estar dissociado da responsabilidade ambiental. O desafio para o futuro não passa por rejeitar a química, mas sim por potenciar o seu lado benéfico através da sustentabilidade. Compreender essa dualidade, as suas vantagens vitais e os seus riscos colaterais, é o primeiro passo para garantir que a química continue a ser uma aliada da humanidade, corrigindo os erros do passado e protegendo os ecossistemas para as gerações vindouras.


A Química Vista por … Joana Madaíl


 A Química Vista por … Joana Madaíl

Formanda do curso PRR “Química Verde: do conhecimento à ação” edição 2026

A química hoje em dia é considerada fundamental para a vida moderna, o seu desenvolvimento ao longo dos anos levou a diversos feitos, bons e maus. 

O seu avanço permitiu uma melhoria geral na área da saúde com o desenvolvimento de fármacos, vacinas, anestésicos e produtos de higiene, colaborando para o aumento da esperança média de vida e da qualidade de vida do ser humano. Beneficiou também a área da agricultura com, por exemplo, o desenvolvimento de fertilizantes e pesticidas que ajudaram a combater pragas e a aumentar a produção alimentar. Já na área das energias e combustíveis ajudou a desenvolver energias renováveis e amigas do ambiente, tal como os painéis solares e as baterias de iões de lítio, e outras formas de energia com alto rendimento energético. Além destes exemplos, a química também melhorou o dia a dia das pessoas com invenções como as embalagens resistentes, os carros elétricos e os tecidos sintéticos impermeáveis. Tudo isto são apenas alguns exemplos das diversas regalias que a química ofereceu ao longo do seu avanço.

Mas como a química trouxe vantagens, também originou desvantagens graves para o ser humano e para o meio ambiente. As fábricas, os gases tóxicos e os chamados “químicos eternos” poluem os nossos solos, rios e oceanos, tornando o planeta cada vez mais próximo de inabitável. A exposição prolongada a produtos tóxicos e a lixos químicos causam um aumento alarmante de doenças respiratórias, problemas neurológicos e até certos tipos de cancros, como o cancro do pulmão associado às emissões de poluentes. 

Eu diria que um dos problemas da química é a sua alta versatilidade, algo que também é umas das suas melhores qualidades. Através da química podemos criar e desenvolver um pouco de tudo, e como muitas inovações não sabemos os seus efeitos a longo prazo. Um exemplo desse caso é a descoberta da alta toxicidade de certos tipos de materiais de construção que eram utilizados há décadas, como o chumbo e o amianto. O amianto era utilizado como isolante térmico e o chumbo em tintas e sistemas de tubagens em instalações como escolas, sendo que durante décadas gerações inalaram toxinas sem o saberem, correndo risco de desenvolver problemas no sistema nervoso, rins e até cancros.

Isto não é um problema novo, é um assunto já bastante debatido na comunidade científica, tanto que a área denominada Química Verde tem ganhado cada vez mais importância, ela tem como objetivo desenvolver produtos e processos que minimizem a formação e o uso de poluentes e substâncias tóxicas. Exemplos da implementação da Química Verde incluem o desenvolvimento de detergentes e embalagens biodegradáveis e até catalisadores totalmente orgânicos que não possuem toxicidade.

Em suma, a química e o seu desenvolvimento são de extrema importância para o progresso da humanidade. No entanto, é importante entender que nem tudo o que sai desta área é automaticamente ideal. Muitas vezes técnicas inovadoras, substâncias e materiais são criados e anos mais tarde descobertos como poluentes ou tóxicos. Ou seja, cabe à sociedade científica e aos investigadores tentarem, sempre, tornar os seus métodos mais verdes e sustentáveis de forma responsável e ao mesmo tempo tentar reverter os estragos já feitos ao planeta.

A Química Vista por … Cliton Watualero

A Química Vista por … Cliton Watualero

Formando do curso PRR “Química Verde: do conhecimento à ação” edição 2026


A química, enquanto ciência central, assume um papel crucial na resposta aos desafios contemporâneos associados à sustentabilidade, à redução das emissões de carbono e à eficiência energética. Neste enquadramento, a química verde propõe estratégias que minimizam o impacto ambiental dos processos e produtos químicos, privilegiando matérias-primas renováveis e tecnologias mais limpas. Entre essas estratégias, destaca-se a valorização da biomassa para a produção de biochar e a sua aplicação em dispositivos energéticos, como baterias de iões de lítio, supercapacitores e sistemas baseados em materiais de mudança de fase. Esta abordagem apresenta vantagens relevantes, mas também limitações que importa discutir.

Uma das principais vantagens do uso da biomassa é o seu carácter renovável e a sua ampla disponibilidade. Resíduos agrícolas, florestais e industriais podem ser convertidos, através de processos como a pirólise, em biochar (um material carbonoso com elevada estabilidade e estrutura porosa ajustável). Esta valorização de resíduos contribui para a economia circular e reduz a dependência de recursos fósseis, tradicionalmente utilizados na produção de materiais de carbono, como o grafite sintético.

Biochar é um material sólido rico em carbono, produzido a partir da queima de biomassa (como resíduos agrícolas, madeira ou cascas) em uma atmosfera inerte ou num ambiente com pouco, um processo chamado pirólise. Pode também ser produzido dentro de um reator hidrotérmico, onde o precursor fica imerso na água, nestes caso chama-se hidrochar.

Do ponto de vista ambiental, o biochar apresenta um benefício significativo ao nível do sequestro de carbono. Durante a sua produção, parte do carbono da biomassa é fixado numa forma estável, impedindo a sua libertação imediata para a atmosfera. Quando utilizado como substituto de materiais convencionais em dispositivos energéticos, pode contribuir para a redução da pegada carbónica global desses sistemas, alinhando-se com os objetivos de desenvolvimento sustentável.

No caso das baterias de iões de lítio, o biochar tem sido explorado como material de ânodo. A sua estrutura porosa facilita a difusão dos iões de lítio, e a sua composição pode ser ajustada para melhorar a condutividade elétrica. Comparativamente aos materiais sintéticos, cuja produção é frequentemente dispendiosa e energeticamente intensiva, o biochar pode representar uma alternativa mais económica e sustentável. De forma semelhante, nos supercapacitores, a elevada área superficial do biochar favorece o armazenamento de carga, podendo substituir carvões ativados obtidos por processos menos ecológicos.

Adicionalmente, o biochar pode ser utilizado como suporte em materiais de mudança de fase (PCM), usados para armazenamento de energia térmica. A sua estrutura porosa permite estabilizar os PCM, evitando fugas durante a transição de fase e melhorando a condutividade térmica do sistema. Esta aplicação é particularmente relevante em edifícios energeticamente eficientes, contribuindo para a redução do consumo de energia.

Contudo, apesar destas vantagens, existem limitações importantes. A variabilidade da biomassa é um dos principais desafios, uma vez que diferentes fontes e condições de processamento originam biochars com propriedades distintas. Esta heterogeneidade dificulta a padronização e pode comprometer a consistência do desempenho em aplicações industriais.

Outro aspeto crítico prende-se com os custos e o consumo energético associados ao processamento. Embora a pirólise seja uma técnica relativamente simples, a produção de biochar com propriedades adequadas para aplicações avançadas pode exigir temperaturas elevadas e etapas adicionais de ativação ou modificação, aumentando os custos e reduzindo parte dos benefícios ambientais.

Além disso, o desempenho do biochar ainda não atinge, em muitos casos, o nível dos materiais convencionais. Em baterias de iões de lítio, por exemplo, a capacidade e a estabilidade podem ser inferiores às do grafite altamente otimizado. Nos supercapacitores, a densidade de energia pode ser limitada, exigindo investigação adicional para melhorar as suas propriedades.

Por fim, questões logísticas, como a recolha e o transporte da biomassa, podem influenciar a viabilidade económica e ambiental desta abordagem. Assim, é essencial considerar todo o ciclo de vida do material.

Em conclusão, a utilização de biomassa para a produção de biochar constitui uma solução promissora no âmbito da química sustentável, com potencial para substituir materiais de origem não renovável. No entanto, a sua implementação em larga escala exige a superação de desafios técnicos, económicos e logísticos, de modo a garantir benefícios reais e duradouros.